Lula está se aproximando de forma perigosa do governo Dilma

Kellen Severo Kellen Severo
@kellen.severo

O Morgan Stanley está projetando o dólar a R$ 6,30 até o final do governo Lula. O banco de investimentos aponta riscos fiscais crescentes e um aumento do prêmio de risco com a proximidade das eleições presidenciais em 2026. Para o economista Alan Ghani, a perspectiva é de alta da moeda, especialmente se houver uma interferência do governo no Banco Central, com a posse de Gabriel Galípolo em 2025. Ele revela ainda como o governo Lula está perigosamente se aproximando do governo Dilma. Confira um trecho da entrevista: 

O Morgan Stanley está projetando o dólar de R$6,30. Então nós vimos uma escalada rápida, chegou a R$ 6, bateu R$ 6,11 e um banco de investimentos respeitado está projetando R$ 6,30 no fim do governo Lula. E ele coloca ali dois fatores de grande desconfiança com uma melhoria das contas públicas e também ele já olha para eleição de 2026. Esse é o horizonte mesmo, é dólar para cima, é o que você vê?

Eu vejo, porque o risco é para cima. Tudo é mais constante do jeito que está o câmbio de equilíbrio do Brasil, o novo patamar é R$ 6. A não ser que o Congresso pegue esse pacote fiscal e melhore. Mas dado o histórico, e principalmente o histórico do governo, que é um governo muito gastador. Desde o início ele deu sinais de que ele escolheu o Estado como protagonista do crescimento econômico. Quer dizer, vamos induzir o crescimento econômico com crédito subsidiado, que tem um custo fiscal, com elevação do gasto público. Então essa é a fórmula, o protagonismo do Estado. Só que isso, evidentemente, tem um custo fiscal. E esse custo fiscal deve aumentar por conta do ano eleitoral, 2026 é um ano eleitoral. Então por que que vai reduzir? É o contrário. Então dado a essa circunstância,eu diria que o risco é do dólar subir mais do que cair. O Morgan Stanley é uma instituição respeitada, um banco de investimento muito grande dos Estados Unidos e aí faz essa previsão perfeitamente factível.

O alerta do mercado veio por uma preocupação de num cenário de dólar mais alto, inflação também tende a subir no Brasil para ajudar essa inflação a não ficar lá no alto você aumenta juros. A preocupação sobre uma eventual canetada do governo, como na era Dilma, para tentar cortar o juro com Galípolo na presidência do Banco Central?

Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares: quem será Gabriel Galípolo à frente do Banco Central. Vamos lembrar que a decisão não depende apenas dele, são oito diretores mais o presidente [do BC]. Mas ele pode dar o tom ali, o direcionamento.  Agora, esse governo lembra muito o governo Dilma se a gente até olhar pelo aspecto do emprego. O governo fala ‘olha, a taxa de desemprego está baixa’. E está baixa mesmo, em 6,2%o último dado. Na era do governo Dilma, a taxa de desemprego também era muito baixa. Rodava ali na casa de 6%, 6,5% e o Brasil crescia próximo de 3%, muito parecido com o que é hoje. Mas o que piorava: o fiscal e a inflação. Exatamente o mesmo cenário de hoje. O desemprego é baixo, o país cresce em torno de 3%, mas o que que piora? O fiscal e a inflação. Lembrando que a situação fiscal naquela época, o endividamento público, era bem menor do que é hoje. Hoje é muito mais perigoso. O que tem segurado o país para não entrar numa crise fiscal ou numa piora inflacionária é justamente o Banco Central. O Banco Central está fazendo um bom trabalho, segurando a inflação, a mão de ferro apesar de todas as pressões populistas por alas ali do governo federal. Se o Banco Central ceder, é governo Dilma na certa.

Se o Banco Central continuar o seu papel de instituição autônoma, a gente vai ver juros ao redor de 14% já em 2025?

Com certeza. É perfeitamente possível. Veja que para a próxima reunião do Copom, o mercado já fala entre 0,75 pontos percentuais de alta ou um ponto percentual de alta, é muita coisa.

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